← Início

Metodologia

A fonte

Todos os números deste painel vêm dos microdados do Censo da Educação Superior, publicados anualmente pelo INEP. Não há amostra, projeção, estimativa nem pesquisa de intenção: é o censo, na íntegra, como o próprio INEP o distribui.

A base cobre 0 safras, de a .

Fonte original: gov.br/inep — Dados Abertos, Microdados.

Fonte adicional: Indicadores de Trajetória da Educação Superior, também do INEP — coortes anuais de ingressantes com acompanhamento do mesmo aluno pelo CPF, safra a safra publicada. Os md5 publicados pelo próprio INEP foram conferidos na carga.

As duas medidas de evasão do painel não são versões do mesmo número. A estimativa anual responde quantos vínculos se desfizeram no ano, sobre a base exposta; a coorte oficial responde quantos de uma turma concluíram. Compor a taxa anual para estimar evasão de coorte superestima sempre: em 1.089 instituições medidas a diferença média é de +11,3 pontos percentuais, porque o risco de sair é concentrado no começo da trajetória (12,3% da coorte sai no ano de ingresso, 38,3% acumulados no ano 2) e a taxa anual é medida sobre um estoque dominado por calouros. O painel não compõe.

As fontes além do censo

O painel cerca o censo com fontes oficiais de contexto, cada uma com calendário próprio — por isso os seletores globais de ano, modalidade e grau não as recortam, e cada bloco declara a própria safra (ou data de captura), lida do próprio dado.

Indicadores de Qualidade (INEP/MEC) — CPC e IGC. Divulgações de 2021 e 2023, no ciclo trienal do Enade: cada curso aparece em uma das divulgações, e o painel mostra sempre a última avaliação com o ano escrito. Faixas de 1 a 5; “SC” (sem conceito) é ausência, nunca nota — não entra em conta nem vira zero. Não existe “média de faixa” em nenhuma tela.

Rendimento escolar, IDEB e INSE (INEP). As taxas de aprovação, reprovação e abandono por escola e etapa somam 100% dentro de cada etapa; o fundamental total convive com os recortes de anos iniciais/finais e nada se soma. O IDEB é bienal e cobre quase só a rede pública — escola sem IDEB está fora da divulgação, não tem nota baixa. O INSE (nível socioeconômico do Saeb) existe exclusivamente para a rede pública: para o mercado privado, é o perfil da piscina de onde a rede privada capta aluno. Medianas de praça têm piso declarado (5 escolas por célula) e nunca viram média.

Cadastro e-MEC (MEC). O cadastro regulatório diz quem está autorizado; o censo diz quem matriculou. É um retrato de uma data — a data de captura fica gravada no banco e cada bloco a cita — e o veredito das telas é sempre “sem matrícula no censo da praça na safra X”, nunca “não opera”. Vagas autorizadas se repetem por polo do mesmo curso e jamais são oferta real.

IBGE — Censo 2022, PIB municipal e estimativas. População por grupos quinquenais completos (não existe recorte 0–17 no dado; o painel mostra 0–19 e diz isso); grupo suprimido pela fonte em município pequeno aparece como não publicado, nunca zero. O PIB per capita é calculado no painel — PIB de 2022 ÷ população do Censo 2022, mesmo ano nas duas pontas — e declarado como cálculo. Estimativas e projeções de população são rotuladas como tais.

RAIS de estabelecimentos (PDET/MTE). Vínculos formais por município e divisão CNAE 2.0. Vínculo não é pessoa (alguém pode ter dois) e o estoque é a foto de 31/12; estabelecimento de RAIS negativa (declarou sem vínculo) conta como estabelecimento com zero, não como buraco; trabalho informal não aparece. O total de cada praça é a soma das divisões, exclusivas entre si.

Toda carga dessas fontes segue o mesmo ritual do censo: conferência do que subiu contra os arquivos originais ao centavo (contagens e somas independentes) antes de qualquer tela ler o dado — a soma nacional do Censo 2022 fecha com o número oficial do IBGE com diferença zero, e os vínculos da RAIS fecham com o estoque oficial de empregos formais do país.

Como um aluno é contado

O INEP classifica cada matrícula numa dimensão, e é ela que decide onde o aluno aparece:

dimensãoo que égeografia
1presencialmunicípio do campus
2a distância, com município do aluno identificadomunicípio do aluno
3a distância, agregado nacionalsem município
4exteriorsem município

Este painel usa as dimensões 1 e 2 para tudo que tem geografia. É o que permite a leitura de praça: quem leva aluno de uma cidade, esteja onde estiver.

Consequência que muda a leitura: uma instituição com sede no Rio de Janeiro pode ser a quarta maior de Manaus sem ter um metro quadrado na cidade. Isso não é erro — é a pergunta certa. O recorte tradicional, quem opera aqui, parou de descrever o mercado quando metade dos alunos do país passou a estudar a distância.

O que este painel não pode dizer

Ser explícito aqui vale mais do que parecer completo.

Oferta a distância não tem geografia, nem capacidade real. O INEP não distribui vagas, cursos nem inscritos de EAD por estado ou município, e a vaga que uma instituição a distância declara é número nominal — em foram 18,6 mi de vagas EAD contra 5,1 mi presenciais. Por isso todo indicador de vaga, ocupação e candidato por vaga neste painel é exclusivamente presencial, e desaparece quando o filtro está em “a distância”. Onde você vê “—” numa linha de EAD, é isso: o dado não existe, e preencher com zero seria inventar.

Contagem de cursos e de instituições em EAD não se soma entre cidades. O mesmo curso a distância aparece em cada município onde tem aluno. Somados, os 11.297 cursos EAD reais de virariam 82.001. Por isso essas contagens são sempre rotuladas com aluno na cidade, nunca ofertados na cidade.

Turno só existe no presencial. O presencial declara turno em 100,0% das linhas em todas as safras, e o EAD em 0,0%: não é falha de declaração, é que a distância não tem turno. O que mudou na série foi o peso do EAD na matrícula, de 14,0% em 2010 para 50,7% em 2024. Por isso o percentual de turno é sempre calculado sobre a fatia presencial (diurno + noturno), nunca sobre o total — usar o total dividiria o número por dois em 2024. Em 2009 o turno não foi coletado e o painel não desenha o recorte.

Coluna que não existe num ano aparece como “—”, nunca como zero. O INEP publica algumas colunas zeradas no ano em que não as coletou. Onde identificamos isso, o valor foi convertido para ausente. Exemplo: em 2009 o arquivo traz QT_MAT_DIURNO no cabeçalho e com zero em todas as 52.146 linhas, enquanto QT_VG_TOTAL_DIURNO no mesmo arquivo soma 1.062.272 — o campo não foi coletado, ninguém deixou de estudar de dia.

Cor/raça não é exibida nas safras em que a não declaração passa de 40,0%. A taxa de não declaração era de 72,5% em 2009 e é de 15,7% em 2024. Acima de 40,0% de não declaração a composição descreve uma minoria autosselecionada, não o conjunto — então não desenhamos o gráfico, e dizemos por quê. A série da própria taxa continua visível em todos os anos.

“Concluintes por matrícula” não é taxa de conclusão. O censo é transversal: não acompanha turma ao longo do curso. O que se pode calcular é quantos concluíram no mesmo ano em que havia N matriculados — indicador de maturidade da carteira, não de quantos entraram e terminaram.

Os rankings não cobrem 100%, e dizemos quanto

Rankings por cidade e área ou curso ignoram combinações pequenas demais para comparar — uma turma de três alunos não é mercado. A cobertura exata é exibida no rodapé de cada ranking e está no banco, ano a ano:

  • por área: entre 97,9% e 99,3%
  • por curso: entre 96,5% e 99,6%

O índice de oportunidade é opinião declarada, não previsão

Onde o painel ordena mercados por atratividade, ele usa cinco componentes com peso igual e todos visíveis na tela: tamanho, crescimento, folga de EAD, fragmentação e ocupação das vagas. Cada um é um percentil dentro do mesmo ano.

Reordenar por qualquer componente é um clique — a ponderação é sugestão, não veredito. E o índice descreve o mercado do último ano disponível, não o futuro.

A classificação de movimento (crescendo / migrando para EAD / demanda encolhendo) usa limiares escolhidos, também declarados: variação de dez anos ≥ +10,0% é crescimento; entre -15,0% e +10,0% é estável; abaixo de -15,0% separa-se por participação do EAD, com corte em 30,0%.

Anos que pedem cautela

Em 15 das 0 safras existe ao menos uma instituição que declarou uma fração da matrícula e reapareceu inteira no ano seguinte. O painel avisa automaticamente quando um ano assim entra no recorte exibido.

Os dois piores:

  • 2011 76.159 matrículas faltando, 1,1% do ano.
  • 2020 111.958 matrículas faltando, 1,3% do ano, coleta em plena pandemia. No Amazonas o ano é inutilizável para a rede pública: a UFAM declarou 1.068 matrículas contra 22.274 em 2021.

A série de inscritos tem uma quebra em 2021. Sobem de forma regular de 6,9 mi em 2009 a 17,6 mi em 2017, saltam para 20,1 mi em 2019 e 2020, e caem para 15,1 mi em 2021 sem nunca voltar. É mudança de coleta, não colapso de procura.

Decisões de modelagem

Um código, um nome. O INEP publica o nome que a instituição tinha naquele ano. Entre e , 53,5% das instituições e 60,9% das mantenedoras mudaram de nome. Se mantivéssemos os dois rótulos, a mesma entidade viraria duas na comparação entre anos. Adotamos o nome mais recente em toda a série e guardamos 5.879 rótulos aposentados — a busca continua encontrando pelo nome antigo.

A rede pública/privada é derivada em catorze dos dezesseis anos. Os arquivos de instituição só trazem TP_REDE em 2023 e 2024. Nos demais a rede vem da categoria administrativa, e a regra foi conferida contra os dois anos que têm as duas colunas: coincide em 100% das linhas. Em 2009 o INEP usava outro conjunto de códigos — as privadas eram 6, 7, 8 e 9 — e o de-para foi provado casando o código de cada instituição entre 2009 e 2010.

Códigos de curso foram reciclados na virada de taxonomia CINE. O INEP reaproveitou códigos CINE: 17 cursos “sumiriam” e 19 “nasceriam” na virada. Toda comparação por curso usa um código canônico com o de-para aplicado a todas as safras.

A soma das cidades é menor que o Brasil, e está certo. Ficam de fora as matrículas sem município — o exterior e algumas linhas de EAD sem código de município. São 18.499 matrículas em dezesseis anos, entre 0,0% e 0,030% ao ano. Não rateamos: os totais por cidade são rotulados matrículas com município identificado.

Como sabemos que os números estão certos

Cada carga passa por duas provas independentes.

Prova de integridade. Um carimbo md5 é calculado sobre o conjunto de linhas de cada tabela, ano a ano, na base local e no banco de produção. Os dois têm que bater exatamente. Se um único valor divergir, o carimbo denuncia.

Prova de coerência. Uma bateria de 664 testes automáticos verifica o que o carimbo não pode ver: totais que precisam fechar entre tabelas, colunas que não podem ficar vazias sem explicação declarada, séries que não podem ter salto incompatível com comportamento real, anos que não podem faltar, rótulos que não podem ser nulos, e nenhum ano inteiro zerado onde deveria haver dado.

As duas respondem perguntas diferentes. O carimbo responde o que está no servidor é o que eu carreguei?. A bateria responde o que eu carreguei quer dizer o que eu acho que quer dizer?. Já aconteceu de a primeira passar e a segunda pegar o erro.